“Profissionais do saneamento precisam ter a mente aberta para as transformações tecnológicas do setor”, afirma Paulo Massato

O diretor Metropolitano da Sabesp, Paulo Massato Yoshimoto, foi o convidado do Canal Saneamento de 16 de dezembro, para falar aos alunos dos cursos de MBA Saneamento Ambiental e PPPs e Concessões. Na ocasião, o especialista falou com o Portal Saneamento Ambiental sobre temas como crise hídrica, o novo marco regulatório e as oportunidades aos profissionais do setor, entre outros.

Leia a seguir a entrevista:

Portal MBA Saneamento Ambiental – Nos últimos anos, o setor de saneamento brasileiro tem estado na pauta da imprensa, principalmente por causa da crise hídrica, sobretudo na região metropolitana de São Paulo. E atualmente, por conta do novo marco legal, cujo texto base para alterações foi aprovado em 11 de dezembro pela Câmara dos Deputados. Qual a sua visão sobre o setor hoje no país e quais as perspectivas diante desse cenário de mudanças?

Paulo Massato – Eu acho que o país dentro desse PL está pensando em um país ainda atrasado. Não está associado à questão da crise climática mundial, ainda está muito distante desse pensamento sistêmico entre clima e saneamento, disponibilidade de água.

Acho que o PL não traz uma evolução para essa discussão, traz uma discussão muito mais entre se é o privado ou se é o público. Tanto o setor público quanto o privado têm contribuição a dar e acho que o setor público tem uma contribuição de uma visão social, uma visão de mais longo prazo e sem a necessidade de um lucro de curto prazo. E o privado tem a facilidade de aporte de novas inovações, tecnologias, e até de capital. Porém, com essa evolução na nossa taxa de inflação mais baixa e redução sensível da taxa Selic, é provável que nos próximos anos o custo de capital brasileiro caia, e aí será o momento de fazer as captações aqui mesmo no Brasil e não em dólares. Se o dólar estiver em um patamar elevado, mais de R$ 4 por dólar, essa alavancagem não se sustenta nos estudos de viabilidade econômico-financeira com uma taxa Selic baixa. Acho que o PL precisa ser melhor discutido, no Senado agora vamos ver se essas questões vêm à tona e sejam discutidas pelos nossos representantes.

MBA Saneamento – Em relação à crise hídrica e vendo tudo o que foi feito para superá-la, qual é o maior legado desse acontecimento para o estado de São Paulo, além de ter colocado o setor em evidência, e quais as principais lições aprendidas?

Paulo Massato – A grande lição para mim foi ter um conjunto de profissionais altamente capacitados e com um modelo de gestão na cabeça. Está enraizado no seu cotidiano um modelo de gestão. Isso fez com que houvesse uma coesão rápida, de toda a força de trabalho da diretoria para a busca e execução das soluções. Se não houver um modelo de gestão e lideranças com capacidade de rapidamente se reorganizar e rapidamente sair com uma solução, não teríamos tido esse equacionamento adequado da crise hídrica.

MBA Saneamento – Em sua opinião quais são os maiores desafios para os novos profissionais da área?

Paulo Massato – Os novos profissionais precisam estar com a mente aberta. A velocidade de transformação tecnológica é muito alta. Então é preciso estar apto a receber essas informações dessas inovações, se apropriar dessas soluções tecnológicas e aplicá-las no setor se saneamento, sempre com foco do cliente. Precisamos de especialistas, mas eles precisam ter clareza que tudo que se faz ali é para dar um retorno bom para a população, para o cliente da empresa. O mundo está repleto de novas tecnologias e a palavra do momento é inovação.

MBA Saneamento – Como o setor recebe esta questão? Quais são os avanços neste sentido?

Paulo Massato – Muitos avanços. Infelizmente e felizmente. Felizmente porque a tecnologia está surgindo e todo dia uma nova solução tecnológica aparece no mercado, mas de uma forma geral essas soluções tecnológicas acabam gerando desemprego. Uma indústria 4.0 é totalmente robotizada e com a necessidade de mão de obra altamente especializada. Se não for assim, essa mão de obra deixa de ter razão de ser nesse processo no setor de saneamento.

A inovação faz parte de um movimento global geral. Todos precisam inovar, senão o retorno para a sociedade passa a ser menor. Agora precisamos achar uma solução para as pessoas que serão substituídas por esses robôs e equipamentos mecânicos que têm uma produtividade muito maior.

MBA Saneamento – Dentre as melhorias que o setor necessita na busca pela universalização, o que, no seu ponto de vista, é mais urgente?

Paulo Massato – É preciso ter um plano claro, fixar bem as metas, dada a capacidade de endividamento de cada empresa e principalmente ter clareza de que nós temos um país com grandes desigualdades sociais e econômicas. Então, é preciso ter tarifas que permitam a inclusão dessa população de mais baixa renda no nosso sistema de saneamento. A universalização só tem sentido se de fato conseguirmos buscar a inclusão da parte da população menos favorecida dentro do setor de saneamento.

MBA Saneamento – Qual a importância do MBA Saneamento Ambiental (e a especialização desses profissionais) para o setor?

Paulo Massato – É preciso cada vez mais estar preparado para essa evolução tecnológica, ser um dos melhores nessa profissão. Somente com a oportunidade dada por MBAs desse tipo que um profissional vai estar se destacando e se diferenciando no mercado. Sem esses MBAs, dificilmente ele terá um currículo apto a se candidatar a uma boa vaga e ter uma carreira no setor de saneamento, portanto, meus parabéns à faculdade.

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