O impacto da falta de saneamento básico

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada dólar investido em saneamento básico e água, o PIB global cresce em 1,5% e são economizados 4,3 dólares.

Abastecimento de água, rede de esgotos, coleta de lixo, controle de animais e de insetos, prevenção de doenças, medidas educativas, melhoria da qualidade de vida. Tudo isso faz parte do saneamento básico, um conjunto de ações que têm como objetivo preservar ou modificar as condições do meio ambiente para prevenir doenças e promover a saúde. A falta desses serviços essenciais custa muito caro à saúde das pessoas e gera um pesado prejuízo econômico. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada dólar investido em saneamento básico e água, o PIB global cresce em 1,5% e são economizados 4,3 dólares. Atualmente 2,5 bilhões de pessoas ainda sofrem com a falta de acesso a serviços de saneamento básico e 1 bilhão realizam a defecação ao ar livre.

A assistência internacional a favor das melhorias na qualidade dos serviços de água e saneamento aumentou seu comprometimento financeiro em 30% entre 2010 e 2012 – de 8,3 bilhões para 10,9 bilhões –, especialmente para as regiões mais vulneráveis, como a África Subsaariana e o sudeste e o sul da Ásia. 

Apesar de estar ligado às condições de saúde da população, o saneamento básico ainda está longe de fazer parte da vida de toda a população do mundo. De acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a lavagem de mãos é uma defesa básica, sendo a forma mais eficaz de prevenir a propagação da COVID-19. Entretanto, a ONU estima que uma em cada três pessoas no mundo não tem acesso a água potável.

Ainda que estudos não mostrem a presença do coronavírus em águas superficiais ou subterrâneas nem a transmissão por ingestão de água, é importante assegurar o tratamento de água e esgoto para eliminação do vírus desses meios, evitando também que outras doenças igualmente perigosas se proliferem. 

Essas preocupações podem parecer triviais quando o que está em discussão são pontos como a eficiência do uso de máscaras, a equipagem de leitos para alta e média complexidade hospitalar, a eficácia de medicamentos e vacinas na pandemia, entre outros. No entanto, com a desigualdade brasileira, a ausência de saneamento se torna um fator importante nos dados que apontam curvas mais ou menos íngremes de doentes e mortos. A grande preocupação é com comunidades pobres, nas quais faltam mais do que máscaras e álcool em gel: não há, sequer, água tratada.

No Brasil, segundo o Instituto Trata Brasil, apenas 39% do esgoto do país é tratado e menos da metade da população tem acesso à coleta adequada. As consequências da falta de saneamento básico são graves. Ingerir água contaminada, por exemplo, pode causar doenças gastrointestinais e levar à morte. As crianças costumam ser as mais prejudicadas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 4,8 milhões de crianças de até 14 anos estão expostas a riscos de doenças por viverem em lares sem estrutura de saneamento básico.

As restrições de serviços geram impactos nos contratos de concessão, influenciando na realização de obras de ampliação da rede de água e de esgotamento, o que impede que sejam alcançadas metas contratuais de expansão. 

É de extrema importância assegurar à população o acesso à água e preservar a sustentabilidade de longo prazo da concessão. Esses pontos são críticos para o enfrentamento da crise, especialmente quando mais de 60% da população estão (ou deveriam estar) em isolamento em suas residências.

Fonte: https://nacoesunidas.org/

Por: Ingrid Fiel

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