Debate expõe a relação direta entre saneamento e saúde pública em época de pandemia

Para especialistas, saneamento atua como ferramenta de saúde preventiva e deve ser tratado com maior responsabilidade pelo Estado.

Um debate sobre saneamento e saúde pública expôs a correlação entre os setores no enfrentamento de doenças no Brasil. O assunto foi abordado na última quarta-feira, 6 de maio, durante o webinar gratuito promovido pelo MBA Saneamento Ambiental, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), e a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES).

Sob o tema “Pulando no esgoto” – Pandemia: o saneamento e a saúde pública no Brasil”, o encontro reuniu os especialistas Claudio Maierovitch, sanitarista na Fiocruz Brasília, Roberval Tavares de Souza, presidente nacional da ABES, e Wanderley Paganini, superintendente de Gestão Ambiental da Sabesp.

A apresentação foi feita por Rafael Castilho, coordenador administrativo do MBA Saneamento Ambiental, com comentários do professor Elcires Pimenta, coordenador técnico do curso.

Na ocasião, eles abordaram o saneamento como ferramenta de saúde preventiva importante no combate a doenças, entre elas o coronavírus, que tem como principal forma de prevenção a lavagem das mãos. “A partir da pandemia, o valor da essencialidade do saneamento passou a ter um peso muito maior na discussão da própria universalização e o que nós devemos ter como política de saúde pública e saneamento daqui pra frente no Brasil”, declarou Pimenta.

Segundo Roberval, porém, a falta de acesso à água tratada e coleta de esgoto em algumas regiões do País impacta diretamente na saúde e bem-estar das pessoas, conforme indica estudo do Ranking ABES da Universalização do Saneamento.

“O ranking demonstra que quanto mais saneamento, menor o índice de internações. Quanto menor o índice de saneamento, maior a quantidade de doenças de veiculação hídrica”, disse Roberval. “Passou da hora de o governo entender que o saneamento tem que ser prioridade, uma questão de Estado. Não podemos mais negligenciar essa questão.”

Para Maierovitch, sanitarista da Fiocruz Brasília, as populações pobres acabam sendo as mais prejudicadas, sofrendo, além da ausência de saneamento, com habitações precárias e serviços de saúde inadequados.

“É inaceitável que um país como o nosso, com a dimensão econômica e de recursos naturais que tem, não consiga levar as condições mínimas de habitabilidade e saneamento para o conjunto da sua população”, afirmou ele, que vê como motivo principal disso o abandono de políticas públicas nestas áreas.

Aproveitando o gancho do tema do debate, o coordenador Pimenta observou que há ainda uma mentalidade obsoleta em relação à importância dos serviços básicos, algo que prejudica o avanço do setor.

“A frase “o brasileiro está acostumado a pular no esgoto” vem de uma visão muito atrasada no Brasil e não está sozinha, ela está ligada a achar que o brasileiro não tem direito à coleta de esgoto”, analisou. Ele acrescentou: “Essa é uma visão que tem que ser superada.”

Já Paganini, superintendente de Gestão Ambiental da Sabesp, destacou a necessidade da valorização dos sanitaristas, ainda mais essenciais em tempos de pandemia. “Nós fazemos saneamento para a sociedade e ela precisa de todos nós”, frisou. “Temos uma grande oportunidade na retomada — pós-pandemia — de transformar o saneamento; parar de ser ator coadjuvante e ser ator definitivo que comanda a infraestrutura no País”, encerrou o presidente nacional da ABES.

Se você perdeu ou deseja rever o webinarclique aqui e confira na íntegra o evento. E fique atento às nossas próximas novidades!


Por Murillo Campos/Foco 21 Comunicação  

Write a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *