Rafael Castilho

Aprender com as dificuldades

No momento que vemos na televisão, nos jornais, falando para lavar as mãos, fica destacado o papel dos profissionais do saneamento, diz o Coordenador Administrativo do MBA Saneamento Ambiental.

O momento que a sociedade brasileira e mundial vive com o agravamento da situação no Brasil desperta preocupação. É um fato grave, mas que se configura como uma oportunidade para o país pensar não só no combate ao coronavírus, mas pensar principalmente na saúde pública, ou seja, no entender a saúde pública como um direito de todo cidadão, que é papel do estado (prover a saúde de maneira coletiva), para o nosso setor e a sociedade perceber que o saneamento é parte da estratégia de saúde e da preservação da saúde pública no Brasil. No momento que vemos na televisão, nos jornais, falando para lavar as mãos, fica destacado o papel dos profissionais do saneamento. O MBA atua para formar especialistas e grandes profissionais que colaborem e atuem no desenvolvimento do saneamento no Brasil. Que colaborem com o desenvolvimento do país. A crise deve nos motivar para superar nossos desafios históricos e compreender o saneamento como parte importante. Até porque, se não tivéssemos essas doenças causadas pela falta de saneamento no país, principalmente pela questão da água e da falta de tratamento de esgoto, hoje teríamos muito mais leitos disponíveis nos hospitais. Os leitos estão ocupados devido à doença e com demanda por atendimento. Caso tivesse saneamento, sem contar as pesquisas que vêm sendo feitas, de que o esgoto também é uma forma de transmissão, teríamos mais espaços nos hospitais.

Capa da Edição 72 da Revista Saneas – Abril a Junho/2020.


O Brasil tem que usar esse momento como motivação para superar os desafios. O país não pode naturalizar as mortes com o coronavírus como tem naturalizado. Nós nos acostumamos ao longo dos anos e achamos normal ter índices abaixo da necessidade do setor de saneamento, ter rios poluídos, não ter tratamento de esgoto, ter índices precários de abastecimento de água em certas regiões do país e ter lixões. Estamos nos acomodando também para o fato de que os aterros sanitários estão em vias de entrar em colapso. Não podemos nos acostumar com as mortes e naturalizar os mortos pela falta de saneamento. Que seja uma lição para superar as grandes dificuldades que estão impostas nesse momento.”

Entrevista concedida à Revista Saneas – Ed. 72 – Abr. a Jun. 2020, página 18. Edição completa disponível em: http://www.aesabesp.org.br/saneas/

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