Alunos do MBA Saneamento visitam obra de despoluição do Rio Tâmisa

Os alunos do Módulo Internacional do MBA Saneamento na London School of Economics and Political Science (LSE) visitaram a obra de despoluição do Rio Tâmisa, que banha Oxford e Londres, na Inglaterra.

O objetivo do curso, que ocorre ao longo de toda esta semana, é preparar profissionais e novas lideranças para o setor de saneamento, por meio da troca de experiências.

Durante a visita técnica, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o Thames Tideway, um túnel que passa pelo centro de Londres e tem como objetivo capturar, armazenar e transportar esgoto bruto e água da chuva que transborda para o rio.

Em 1957, o Museu de História Natural de Londres declarou o Rio Tâmisa como morto. Entretanto, no final da década de 1960, um trabalho de reconstrução da rede de saneamento da região começou a ser feito.

O túnel Thames Tideway, de 25 quilômetros de comprimento e sete metros de diâmetro, está sendo escavado pela empresa Tideway, responsável pela construção do sistema de dutos e túneis para livrar o Rio Tâmisa do esgoto doméstico.

A empresa pertence a um consórcio de investidores e mais de dois milhões de pensionistas que têm um investimento direto por meio de fundos de pensão do Reino Unido.

O túnel é o principal projeto da companhia, que vai custar 3,8 bilhões de libras para ser concluído, mais 1,1 bilhão que já foi investido.

Obra resgata o convívio da cidade com o rio

O professor do MBA Antônio Eduardo Giansanti explica a importância da obra:

“Além dos interceptores que já existem ao longo do rio, que não têm sido suficientes em função das chuvas e do aumento populacional – eles têm uma descarga no mínimo semanal desses efluentes para rio, prejudicando a qualidade do Tâmisa – para evitar esses problemas, para reduzir essas descargas, para que aconteça em média quatro vezes por ano, foi proposta uma nova obra. É uma obra extremamente interessante e a geologia de Londres permite que ela seja feita assim. É uma obra subterrânea, abaixo do leito do rio, longitudinalmente, para receber esse volume adicional de água de chuva e de esgotos, que antes eram descarregados ao menos uma vez por semana no rio Tâmisa, prejudicando sua qualidade”, frisa. “Trata-se de uma obra de engenharia bastante complexa que a gente teve oportunidade de visitar e que se enquadra dentro de algo que vimos falando bastante no curso, que é a questão de revalorização dos rios para a cidade, retornar a vida do rio para a cidade, para que ela volte a se relacionar com os rios, possa ter lazer, passeios etc. Ou seja, a engenharia hoje, as condições geológicas de Londres e todo o arranjo financeiro que foi feito possibilitaram que essa obra fosse proposta e hoje esteja em execução. São cerca de 25km de um túnel a cerca de 50 metros de profundidade abaixo do leito do Tâmisa, construído com quase 9 metros de diâmetro com esta finalidade: de receber as águas pluviais, os efluentes que antes eram despejados pelo menos uma vez por semana no rio. Assim a cidade resgatará o seu convívio com as águas, algo extremamente importante e que a gente vem falando ao longo do curso”.

Em relação aos alunos, Giansanti acredita que a visita contribuiu fortemente para expandir o conhecimento. “Temos um amplo espectro de alunos, desde os mais ligados à parte administrativa aos engenheiros, acredito que conseguiu atender a todos os perfis de aluno, mas com o enfoque grande nessa parte técnica, pois foi possível perceber até onde se chega hoje em dia. Realmente, construir um túnel longitudinal, debaixo de um rio de 25km, 50m de profundidade, com quase 9m de diâmetro é um grande desafio de engenharia e isto está sendo feito”.

Na visão do professor Dante Ragazzi Pauli, a visita foi de grande valia para os alunos, principalmente para aplicação na realidade brasileira, mesmo com as diferenças com relação ao Reino Unido.

“A ideia de conviver com o rio foi aumentando no Brasil. Particularmente em São Paulo, com os rios Tietê e Pinheiros, que são uma prioridade do governo. Essas soluções não convencionais, que devemos adotar no Brasil, podem ter como referência o Tideway. A gente pode pensar sempre em soluções desse tipo para acabar ou minimizar impactos do que ainda não conseguimos resolver”, afirmou.

Durante o curso, os estudantes também fizeram uma visita à Ponte Blackfriars, que passa sobre o Rio Tamisa. Em seguida, participaram de uma palestra sobre Sustentabilidade e Regulação, seguida por uma apresentação com o tema “Gestão de Contratos de Projetos de Infraestrutura”.

A iniciativa será realizada até sexta-feira, 15. No último dia, haverá um painel com as lições aprendidas e aplicação ao Brasil. A programação será encerrada com uma cerimônia de graduação.

Instituição reúne alunos e professores de 140 países

A London School of Economics and Political Science, LSE, foi fundada em 1895. É uma das principais instituições de ensino em ciências sociais do mundo.

Além de 18 ganhadores do Prêmio Nobel, vários líderes mundiais estudaram na instituição, 37 presidentes, primeiros ministros e integrantes de famílias reais, entre eles, o ex-presidente americano John F. Kennedy, o ex-primeiro ministro italiano Romano Prodi e o ex-primeiro ministro japonês Taro Aso. Lá, formaram-se também 70 parlamentares britânicos.

Com cerca de 11 mil alunos, quase 70% são de outros países. Em 2017, a LSE recebeu estudantes de mais de 140 países. Sua equipe também é internacional, formada por mais de 100 nacionalidades. Isso significa que o aluno pode discutir importantes questões globais com pessoas de diferentes origens e, como resultado, obterá uma visão verdadeiramente internacional.

Para saber mais sobre a LSE, acesse http://www.lse.ac.uk/.

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