A tecnologia a serviço do Saneamento Básico

O saneamento básico abrange, pelo menos, quatro áreas de atuação: o tratamento de esgoto, o abastecimento de água, a gestão de recursos pluviais (chuva) e dos resíduos sólidos. E garantir um atendimento adequado desses componentes tem sido um desafio mesmo para países que possuem muitos recursos.

Para os países em desenvolvimento, o desafio é assegurar soluções que sejam baratas e que possam ser replicadas em larga escala. Já as nações com mais recursos, que contam com uma oferta de saneamento organizada, têm o desafio de realizar a manutenção de sua estrutura – muitas vezes antiga e cara – e garantir o atendimento aos habitantes.

As tecnologias têm crescido de forma considerável nos últimos anos. E no setor de saneamento básico não é diferente. As tecnologias recentes têm combinado ciência e inovação para dar novo destino aos detritos e propor novas soluções para o tratamento da água. Entre as estratégias utilizadas estão a oxidação úmida, combustão seca, estações de biotratamento e processamento eletroquímico. 

Água e emprego: que influência um exerce sobre o outro?

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), nas próximas décadas, três em cada quatro empregos em todo o mundo dependerão de forma intensa ou moderada da água. O estudo foi realizado pela agência UN-Water, da ONU, e traz dados que afirmam que o acesso à água e ao saneamento serão determinantes para o crescimento da economia e geração de trabalho.

Os profissionais que desempenham atividades ligadas ao serviço de saneamento são os que mais reforçam essa conexão. Sua atuação é tão ampla que vai de um engenheiro que busca soluções técnicas a uma assistente social que orienta a comunidade com boas práticas de consumo.

Com isso, algumas startups perceberam a oportunidade desse mercado e têm desenvolvido novas soluções a cada dia, inclusive aqui no Brasil. Conheça, a seguir, cinco exemplos de tecnologias que estão sendo aplicadas no Brasil com o objetivo de aperfeiçoar diferentes etapas do saneamento básico.

 1 – Processos com biomassa aeróbica granular 

O processo de biomassa aeróbica granular foi desenvolvido na Holanda, pela Universidade de Tecnologia de Delft. A tecnologia foi patenteada pela empresa Royal HaskoningDHV e recebeu o nome de Nereda. Nessa metodologia revolucionária, em vez de a biomassa encarregada pelo tratamento do esgoto se estruturar em flocos (como em processos convencionais), na tecnologia Nereda, ela se organiza em grânulos, cuja velocidade de sedimentação é significativamente superior, sem necessidade de adição de produtos químicos e dispensando a instalação de unidades de decantação. A seleção de bactérias capazes de formar grânulos favorece a remoção não só da matéria orgânica (tratamento secundário), mas também do fósforo e do nitrogênio das águas residuais (tratamento terciário). Dessa forma, a Nereda promove um tratamento de esgoto eficiente e colabora com a preservação dos recursos hídricos. A empresa BRK Ambiental foi a responsável por trazer essa tecnologia para o país. Já existem duas plantas de tratamento Nereda em atividade, outra está em processo de construção e a empresa tem outras 3 estações com projetos iniciados. 

2 – Sistema MBBR (Moving Bed Bio-Reactor) 

O sistema MBBR consiste na utilização, dentro dos reatores biológicos, de pequenas peças de plástico, chamadas biomídias. Essas estruturas se caracterizam pela formação de um biofilme concentrado em seu interior, o que permite, em um mesmo volume de reação, uma maior população de microorganismos responsáveis pelo tratamento. Esse tipo de tecnologia, assim como a Nereda, otimiza o tratamento do esgoto quando há pouca disponibilidade de espaço. 

3 – Membranas filtrantes de água

 A etapa de filtração tem sido objeto de estudo de diversas pesquisas importantes. Antigamente, era comum que essa fase do tratamento de água fosse realizada com grandes filtros de areia. Hoje, observa-se um movimento para a operação com membranas. Apesar de ainda apresentar um alto custo de implantação, esse tipo de tecnologia reduz de maneira considerável a área ocupada pelas Estações de Tratamento de Água (ETAs).

 4 – Medidores on-line de qualidade de água

 Os aparelhos de medição da qualidade da água são um avanço tecnológico que ajudam, e muito, a aperfeiçoar o saneamento básico. Por meio de dispositivos que apresentam sensores on-line ligados a um display, é possível obter informações valiosas sobre a água, entre elas: temperatura, concentração de sais, cor, turbidez, pH e cloro residual. O acesso a esses dados possibilita um controle mais rígido das etapas de tratamento de água e esgoto. Dessa forma, possíveis intervenções podem ser realizadas para que os resultados sejam cada vez mais satisfatórios. 

5 – Programas de redução de perdas de água tratada 

Um grande problema enfrentado no Brasil é o desperdício de água devido à ineficiência da rede de distribuição, que apresenta vazamentos e falta de manutenção. Como as tubulações estão debaixo da terra, é enorme a dificuldade para encontrar os locais exatos de perda d’água. Por isso, a detecção desse tipo de problema tem sido feita com equipamentos bastante tecnológicos, que utilizam sensores de pressão, sistemas acústicos e até imagens via satélite. Além disso, a análise dos algoritmos gerados pelos aparelhos de monitoramento permite encontrar as anormalidades da rede e realizar os devidos reparos para reduzir o desperdício.

Por: Ingrid Fiel

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